Os primeiros registros oficiais sobre colonos em Campo Alegre e cercanias são mais antigos que a chegada dos colonos europeus que vinham através da Estrada Dona Francisca - a segunda Estrada Carroçável do império. No livro "São Bento do Sul - Subsídios para a sua História" de Carlos Ficker aponta na página 156 informações a respeito.
" Assim como o Campo São Miguel, também o Campo Alegre, permaneceu inabitado até 1868, quando as primeiras explorações para o traço futuro da Estrada Dona Francisca despertaram o interesse dos especuladores e estimularam o desenvolvimento da região ao longo da estrada.
Como já vimos em capítulo anterior, um dos especuladores e grande latifundiário que reclamou as áreas do Campo Alegre, São Miguel e também do oeste de São Bento, Manoel D'Oliveira Franco, entrou em choque com a Sociedade Colonizadora quando esta iniciou a medição e demarcação das terras adquiridas do Governo Imperial.
[...] Existiam em 1879 5 famílias em Campo Alegre: Francisco Bueno, Anastácio Lima, Paulo Machado, Amâncio Alves Correia e Augusto Noronha." (FICKER, 1973)
Embora, Ficker afirme que Campo Alegre só venha a ser habitado a partir de 1868, outros historiadores, como o paranaense Professor Oswaldo Cabral, aponta em seu livro "História de Santa Catarina" rápida nota que " mesmo antes de 1860 já haviam por aquelas terras (Campo Alegre) as famílias Correia, Fragoso, Baptista, Franco, Munhoz e Cubas.
Como interessado no assunto, fico mais pendente ao lado do professor Cabral, haja visto ter lido alguns livros de Ficker e perceber nestes um discurso pró-germanista - (forte característica de muitos dos escritores locais). Ficker sempre se posicionou abertamente contra os colonizadores brasileiros que vinham sob auspícios do Governo Paranaense e a favor do Governo catarinense e os colonos alemães. Em seus livros, há muitas passagens que demonstram seu posicionamento em relação aos brasileiros quando se dirige a eles e os tacham de especuladores e violentos. Era este o posicionamento do Governo catarinense e dos colonos europeus que viam na já posse efetivada do colono brasileiro-paranaense um perigo para seus planos.
Eugênio Herbst em seu livro "Subsídios para a História de Campo Alegre" aponta que seu antepassado Florentino Bueno Franco se firmou em Campo Alegre, após passar por Ambrósios (Tijucas do Sul - PR) e requerer do Governo do Paraná, posses de terra.
"Muitos outros paranaenses, a exemplo de Florentino Bueno Franco, requereram também do Governo da Província do Paraná grandes glebas de terras, no hoje, Município de Campo Alegre. Destacamos: Manoel de Oliveira Franco, Candoca Ribas, Cel. Filgueiras, famílias Ferreira e Rocha. Essas posses, principalmente as de Maneco Franco e Cel. Filgueiras, por ficarem mais perto da futura São Bento, suas divisas foram motivos de muitas brigas com os imigrantes europeus, no início da povoação de São Bento do Sul." (HERBST, 1994).
Aproveitando o trecho acima, Florentino Bueno Franco era pai de Francisco Bueno Franco, fundador da cidade e primeiro prefeito de Campo Alegre. Se Ficker diz que em 1869 Francisco Bueno já dispunha de moradia e comércio nessas paragens, é fácil de presumir que ao menos seu pai, o senhor Florentino, já tenha fixado residência (onde hoje é Campina dos Farias) há bastante tempo, o que pode confirmar as hipóteses do Professor Cabral.
Não existe quem escreva imparcialmente, já me advertia uma professora de letras na universidade. É a mais pura verdade! Ninguém é isento, na medida que vem de algum lugar e consigo trás sua herança e sua parte da verdade. É esse o exercício necessário, de ler nas entrelinhas o material histórico, que se faz primordial para entendermos que nossa história é tão complexa quanto a de qualquer outro lugar. Necessário, penoso por vezes, mas com certeza gratificante.












